6 gráficos para conhecer melhor o Plano Nacional de Leitura

Desde 2006, o Plano Nacional de Leitura recomendou cerca de 8000 obras. Dos autores às traduções, passando pelos temas e datas de publicação, qual a caracterização destes livros?

Por Rute Correia|@RuteRadio|

Atualmente, o primeiro filtro do Plano Nacional de Leitura são as editoras. São elas que sabem quais os livros que estão prestes a chegar às lojas – desse lote, fazem uma seleção dos títulos que consideram merecedores da honra e enviam ao PNL para apreciação. Aí, uma comissão de dezassete especialistas de várias áreas do saber lê, analisa e classifica cada obra. As melhores chegam à lista publicada semestralmente.

Com o passar dos anos, esta lista tornou-se um selo de garantia dos títulos que chegam às lojas, sobretudo aqueles virados para os mais novos. Apesar de a maior parte das entradas estar direcionada para o público escolar, desde 2017 houve um alargamento das recomendações aos adultos.

Descobre mais sobre o PNL no nosso artigo “Para que serve o Plano Nacional de Leitura?”.

Datas de publicação

Ainda que a vasta maioria de títulos tenha chegado às lojas já depois de 2006 (ano de arranque do PNL), quase mil recomendações foram publicadas em anos anteriores. O impacto que os ciclos editoriais têm no PNL é notório. Em 2020, tal como de 2010 a 2013 (anos de profunda crise no setor), houve uma queda abrupta no número de livros publicados - ilustrada por um número reduzido de novas entradas relativas a esses anos.

“O Terceiro Homem” de Graham Greene conheceu múltiplas edições até hoje: em 1985 pela Europa-América, no ano 2000 pela Abril/Controljornal (como parte da coleção Novis da revista Visão) e também pelo Círculo de Leitores e, mais recentemente, em 2011 pela Casa das Letras. As edições da Europa-América e da Abril/Controljornal contam com a tradução de Ana Maria Sampaio; as do Círculo de Leitores e da Casa das Letras com a de Sofia Gomes. Todas as traduções estão recomendadas.

De editoras falidas a títulos fora de circulação, é difícil precisar quantas obras permanecem acessíveis ao grande público em livrarias e outros pontos de venda. No entanto, a manutenção de livros mais antigos na lista torna-a um recurso de referência alargado que pode continuar a ser usado em bibliotecas e alfarrabistas, sendo simultaneamente um testemunho da qualidade e diversidade do mercado editorial português - sobretudo ao longo dos últimos 15 anos.

Autores e traduções

O peso da literatura infanto-juvenil no Plano Nacional de Leitura é evidente quando olhamos para os autores mais recomendados. Estes números devem ser lidos com a devida cautela, uma vez que as indicações de recomendação dependem largamente da extensão da obra de cada autor, bem como do tipo de obras que tendem a publicar.

O Plano Nacional de Leitura incorpora obras noutros idiomas, nomeadamente o inglês e o espanhol. As recomendações em língua estrangeira constituem quase um décimo do total (9,6%), mas há um claro desvio de 2018 (inclusive) para cá. Desde esse ano, essa percentagem diminui para 0,3% - um valor que realça a aposta na língua portuguesa, no novo quadro estratégico do programa.

Temas, idades e níveis de leitura

Cada um dos livros recomendados é catalogado de acordo com o tema, bem como níveis de leitura e faixas etárias para que são adequados. A distribuição dos temas pelas várias idades tende a acompanhar as diversas fases de crescimento e de conhecimento.

Notas Metodológicas

Trabalhámos com várias bases de dados facultadas pelo Plano Nacional de Leitura: um ficheiro com as recomendações até 2017 (inclusive) e seis ficheiros relativos aos semestres 2018-2020. Os dados foram consolidados quando tal se mostrou exequível, cruzando os ISBNs fornecidos com os metadados disponibilizados pelo catálogo da Biblioteca Nacional de Portugal. Procedeu-se igualmente à correção de variações nos nomes das editoras, uniformização da grafia dos temas, entre outras retificações manuais.

As diferenças nas amostras resultam da impossibilidade de consolidação de certos dados (dados incompletos, com gralhas ou omissos). Com a exceção da análise às datas de edição, removemos títulos duplicados (ou seja, o mesmo título em edições diferentes, como o caso de “O Terceiro Homem” de Graham Greene, foi contabilizado apenas uma vez). Na nossa análise, considerámos apenas os temas, grupos etários e níveis de leitura principais.

  • Data de edição: (n=8297)
  • Autores mais populares (n=5170)
  • Obras traduzidas (n=8096)
  • Temas por idades (n=8007)
  • Níveis de leitura (n=8089)

O código desenvolvido para este artigo está disponível no GitHub do Interruptor.